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Conselho fez conferência sobre a ética na Saúde

 

 

O Brasil tem vivido um tempo presente marcado por muitas turbulências. Na política, a crise institucional desertifica a representatividade dos poderes. A narrativa do golpe avança e os direitos sociais são atacados, os programas socais desestimulados e desestruturados, a gramática da violência cresce; o país está assistindo o surgimento de um estado que não é favorável a vida. Por todos esses motivos, o Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso Sul (CRP14/MS), por meio da sua Comissão de Saúde, realizou a Conferência A Ética na Saúde, com o psicólogo e psicanalista Christian Dunker, para discutir a ética em tempos tão difíceis.  

 

A atividade da Conferência integra a agenda comemorativa do Mês da Psicologia. E de acordo com a Conselheira do CRP14/MS, Marilene Kowalski, coordenadora da Comissão de Saúde, o evento teve o objetivo de “trabalhar a consciência da importância da ética nas relações de tratamento, seja na clínica, seja na psicologia hospitalar, seja na saúde mental”, comentou Marilene. 

 

Em sua palestra Dunker começa expondo a questão a partir de duas leituras tradicionais da filosofia. De um lado temos a tradição que defende que a essência da ética reside no que move o ato. Ainda que a ação seja contrária à moral instituída e estranha aos costumes, ela pode ser ética porque ambiciona praticar uma lei que ainda não foi toda escrita. E do outro, uma tradição que se escora na ideia de que a ética afirmará que as intenções são um péssimo critério; na medida em que podemos enganar os outros quanto às nossas verdadeiras intenções.  

Entre essas duas interpretações Dunker vai defender: “Pensar eticamente é respeitar que a contradição entre as formas da lei nunca está totalmente definida. Viver com esta indecidibilidade é o que se chama democracia, o poder pela palavra. O contrário disso é imaginar que o poder e a autoridade não dependem mais da palavra praticada, mas de quem são seus autores e atores: suas famílias, seus títulos de nobreza terrena ou celestial, seu caráter ou disposição de alma, seus amigos ou interesses particulares”, explicou Dunker 

 

A Ética na Saúde, dentro da perspectiva traçada por Dunker deve considerar o desejo e a capacidade de criação dos sujeitos e não apenas se restringir a agir dentro dos termos da Lei,  sem que aja uma posicionamento crítico. Como exemplo, Dunker cita a judicialização do Sistema Único de Saúde que só libera determinados medicamentos ou procedimentos mediante a decisão judicial. Aquele que não tem condições de arcar com um processo legal fica fora do serviço.