20 de Novembro Dia Nacional da Consciência Negra: Racismo, quem nada faz contribui. | Conselho Regional de Psicologia CRP14/MS
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19/11/2018 | 15h:40

20 de Novembro Dia Nacional da Consciência Negra: Racismo, quem nada faz contribui.

 

 

Em 10 de novembro de 2011 a ex-presidenta Dilma Rouseff sancionou e decretou o dia 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra, em memória a morte de Zumbi dos Palmares.

Em alusão a esta data convocamos você psicólogo e psicóloga a refletir as relações raciais e as consequências do racismo na sociedade.

Quando se pensa em racismo no Brasil, o que causa comoção são situações extremistas de inferiorização e humilhação da raça, mas as manifestações preconceituosas também são apresentadas em nosso cotidiano de forma sútil. O racismo à brasileira segundo Guimarães (1999, p. 67), citado por Nunes e Camino (2011, p.137) “trata-se de um racismo sem intenção, as vezes de brincadeira, mas sempre com consequências sobre os direitos e as oportunidades da vida dos atingidos”.

Historicamente no Brasil, criaram-se as expectativas com o processo de miscigenação, acreditando que assim os afrodescendentes seriam aceitos, respeitados e consequentemente teriam melhores oportunidades para elevar-se socialmente; e como pretexto para declarar harmonia entre as raças, vendia-se a ideia de que seria um país sem preconceito. (FERREIRA; CAMARGO, 2011). Embora pareça uma busca por igualdade racial, carrega na essência do discurso a ideologia do branqueamento racial: “Eles reconhecem as desigualdades raciais, só que não associam essas desigualdades raciais à discriminação e isto é um dos primeiros sintomas da branquitude”. (BENTO, 2002).

A falta de representatividade de negros e negras nas universidades, nas empresas, no cenário político, jurídico, nas lideranças religiosas, na mídia são evidências gritantes de racismo. Agora, pense na população carcerária, periférica e nas profissões menos remuneradas são pessoas predominantemente negras,  recorte social que configura o racismo institucional existente neste país.

            Neste sentido, constata-se que o racismo histórico e contemporâneo é um dos principais causadores das desigualdades simbólicas e materias da sociedade brasileira.

            O racismo provoca o sofrimento psíquico logo na infância e vai se arrastando pela vida adulta, afeta a saúde mental de tal maneira podendo ser comparada a experiências traumáticas. Portanto, a repercussão de praticas sociais no psiquismo de sujeitos sociais negros é uma demanda urgente da psicologia que, como ciência e profissão tem a responsabilidade em promover reflexões e intervenções para prevenir quaisquer resquícios de desumanização de negros e negras. Bem como contribuir para aceitação e formação da identidade negra, conforme orienta a Resolução CFP nº 18/2002 para uma prática humanitária sem discriminação ou preconceito e que penaliza o profissional que praticar racismo no exercício de sua profissão.

Devemos contribuir e lutar para uma psicologia livre de racismo!


 

**** llana Priscila dos Santos Silva, bacharel em psicologia pela UCDB, membro do NUPSER.

 

 

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