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28/03/2018 | 19h:38

Encontro Regional debate diretrizes curriculares da formação em Psicologia

Iniciado ainda por ocasião dos acontecimentos de Ato Médico, o processo democrático de construção das diretrizes para a Psicologia brasileira escreve uma nova etapa. No último final de semana, a capital de Mato Grosso do Sul sediou o Encontro Estadual das Diretriz Curriculares, que contou com a participação de psicólogas, psicólogos, estudantes, professores de psicologia e Conselheiros de Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso.

O evento teve como principais objetivos: discutir as diretrizes curriculares para os cursos de graduação em Psicologia, elaborar as propostas de diretrizes do Centro-Oeste e eleger os delegados que irão participar do Encontro Nacional.

De acordo com a Conselheira Federal, Norma Cosmo, a mobilização em prol da reformulação da formação em psicologia começou com o debate do Ato Médico e a revisão do curso de medicina. Na ocasião, ela explica que Ministério da Educação (MEC), em consideração com as discussões levantadas pelo Ato Médico, solicitou ao Conselho Nacional de Saúde a revisão das diretrizes curriculares de todos os cursos da área da saúde com atuação regulamentada.

“Então foi definido que a revisão dos cursos seria feita na base, junto com professores, alunos e profissionais. Nesse contexto a ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia), Conselho Federal de Psicologia e Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI) se reuniram para estimular o desenho de uma mobilização caracterizada por eventos preparatórios, encontro regionais e o encontro nacional. Assim, a Ideia é que neste encontro regional sejam compiladas as teses que foram formuladas nos encontros preparatórios” explica Norma.

A presidente da ABEP, Ângela Soligo destaca que o processo de discussão das Diretrizes Curriculares é uma defesa da profissão e de uma formação de qualidade em Psicologia. De acordo com Soligo essa defesa precisa ser feita porque existe a intenção MEC em colocar a Formação da Psicologia totalmente a distância.

Para a Psicologia, sobretudo para ABEP, criar cursos de Psicologia 100% à distância seria uma perda indiscutível de qualidade. Além do que acreditamos que uma educação totalmente EAD não costura uma identidade profissional, nem favoreça algumas características que são inerentes da nossa formação como empatia, acolhimento, e compreensão profunda dos fenômenos psicológicos. Então, nós acreditamos que a formação presencial é fundamental para Psicologia”, comenta Soligo.

Defensora de uma Formação em Psicologia compromissada com o social, Soligo complementa dizendo que ao final do processo espera-se a consolidação de uma formação orientada pelos Direitos Humanos e pelas Políticas Públicas. “Nós esperamos consolidar Diretrizes que nos orientem para uma formação e atuação em prol das demandas da sociedade brasileira”.

A conselheira presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goiás, Ionara Rabelo, também assinalou a importância das discussões da Diretrizes Curriculares em vista do atual contexto político do MEC que é favorável a flexibilização das modalidades de ensino.  “Nosso objetivo com o debate das Diretrizes Curriculares é mobilizar a categoria para vermos exatamente os enfrentamentos que a gente precisa fazer contra essa situação”.

Ionara também pontua, além da questão da flexibilização, o perfil do egresso como um dos pontos mais importantes da discussão. Para ela, a formação em Psicologia não pode “fazer um perfil do egresso, com base nas demandas do mercado, mas nas demandas das necessidades da população. Isso é essencial”

Na visão da representante da FENAPSI, Fernanda Magano, a preocupação da Federação passa primeiro pela questão do EAD, em virtude da mudança na Lei de Diretrizes e Bases, que agora permite o ensino integral à distância. E, em segundo lugar, com a qualidade da formação.

“Precisamos fazer uma correlação entre a questão das teorias e técnicas, mas também a relação das políticas públicas, um ensino-aprendizagem com metodologias mais participativas e o reconhecimento da realidade, porque muitos profissionais saem com uma formação consistente em teoria, mas não se veem aptos em se colocar no mercado de trabalho, em especial na lógica de políticas públicas. Pensar sistemas de sócio-educação, o sistema SUAS, SUS, é fundamental para o egresso de Psicologia. Ele precisa estar bastante consistente no desenho dessas diretrizes para que esteja apto para o mercado de trabalho, como também para o cuidado da população brasileira”, defende Fernanda.

Para Andreza Sorrentino, conselheira-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal, a questão mais alarmante é o EAD. “É importante a gente estabelecer critérios que garantam uma formação de qualidade para os nossos graduandos, porém a gente sabe que existe uma intencionalidade política para implantar o ensino à distância se tornar algo majoritário. Essa realidade, pelo menos para as profissões de saúde, isso não é aceitável”.

Já o psicólogo e - Coordenador da Comissão de Educação, Comunicação e Cultura do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Henrique Figueiredo, além de defender o ensino presencial em Psicologia ressaltou que o Encontro permite a integração das universidades e conselhos. “O encontro é uma oportunidade de alinhar todas as universidades que ofertam o curso de psicologia e os conselhos de psicologia para definir uma formação que garanta o docente no acompanhamento dos desenvolvimentos do aluno e veja o EAD como uma ferramenta apenas complementar”.

O Encontro Nacional das Diretriz Curriculares para os cursos de graduação em Psicologia será realizado no dia 5 de maio. Durante o evento, os delegados do Centro-Oeste vão apresentar as propostas definidas no Encontro Regional.

Após a formulação do material elaborado no Encontro Regional será aberta uma consulta pública para que toda categoria possa participar do debate.

 

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