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Palestra coloca em evidência o protagonismo das mulheres na construção da Psicologia

A primeira palestra do evento "Psicologia no Brasil: da Criação da Profissão aos dias atuais” lotou o auditório da Clínica Escola da Universidade Católica Dom Bosco. Estudantes e profissionais acompanharam com atenção a fala da psicóloga Dra. Ana Jacó-Vilela (UERJ) sobre as mulheres na História da Psicologia. 

Durante sua explanação, Ana revisitou a história da profissão ao longo do século XX destacando o protagonismo das mulheres no desenvolvimento da Psicologia no Brasil. De acordo com ela, a participação desse grupo foi decisiva para os processos que culminaram na regulamentação da profissão Psicologia. A professora ainda defendeu que o resgate dos fatos a partir da perspectiva da mulher não apenas ressalta o protagonismo feminino, mas amplia o sentido da história como um todo. 

“O que a gente vê é que a História é sempre construída pelos vencedores. Então, na nossa história a gente não vê a presença de mulheres, negros, homossexuais, ou de qualquer minoria. No caso específico da Psicologia que, como sabemos, é uma profissão extremamente feminina, o que observamos é que muitas mulheres tiveram uma contribuição muito importante na construção da ciência e no exercício da profissão. E muitas daquelas mulheres atuantes, a partir da década de 1940, foram responsáveis pela Lei que regulamentou a Psicologia”, explica Ana Jacó-Vilela.

Na avaliação da professora, o que se pode observar ao longo da história é que as mulheres entraram na Psicologia a partir do campo da educação. Uma vez nos quadros das universidades, institutos e demais entidades, a presença da mulher sempre foi marcada por relações de poder. Como exemplo, Ana citou o fato de que as mulheres, apesar de conduzirem várias pesquisas importantes, não ocuparam cargos de liderança nos centros de estudos. As atividades delas, eram, de certa maneira, tuteladas por homens que exerciam figura de autoridade como se fosse uma extensão do ambiente doméstico.  

Contudo a presença da mulher se fez fundamental, sobretudo, no processo de regulamentação da profissão. Nesse contexto, Ana destacou a atuação dos grupos que ocupavam as associações profissionais, como as Sociedades de Psicologia.  “No Brasil, costuma-se pensar que as Leis surgem do nada. Mas não. Elas surgem de demandas sociais. Ou seja, se não houvesse um grande número de pessoas batalhando pela Lei da Regulamentação, nós não teríamos essa Lei. E esse grande número de pessoas eram mulheres, por isso devemos deixá-las mais em evidência”, concluiu.

A iniciativa foi aberta a profissionais e estudantes, e contou com o apoio do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul.