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Memória Negra para o cultivo da vida

A importância do dia 20 de Novembro diz respeito aos próprios processos que levaram ao seu estabelecimento, a saber, o reconhecimento dos elementos histórico-culturais, econômico-políticos, jurídicos, sociais e psicológicos que constituem e dinamizam a sociedade brasileira, dentre eles, o mito da democracia racial e o racismo anti-negro. Ambos presentes nas relações, orquestrando e determinando-as a nível institucional, interpessoal e intrapessoal.

No Brasil, a escravidão de africanos e o colonialismo europeu instituíram a dor, violência, sofrimento, tortura, miséria e discriminação como narrativa única sobre/para pessoas negras, redundando na internalização desse legado escravista-colonial e produzindo modos subjetivos complexos e próprios do Povo Negro em território brasileiro.

O “Tornar-se Negro” é longo processo de (re)constituição e de fortalecimento psíquico produzidos na identificação positiva com o próprio grupo racial e no reconhecimento da africanidade da própria existência. Para tanto, é de fundamental importância a localização na história pessoal-coletiva referendada no legado de criação, organização, memória, ancestralidade, sensibilidade e vida, o qual tem sido produzido desde a chegada dos primeiros africanos ao país.

Desmantelar a noção de que pessoas negras existem somente a partir do legado escravista-colonial é um processo que mantêm viva a trajetória de Zumbi dos Palmares e de tantos heróis e heroínas negras do ontem, do hoje e do amanhã.

Assim, o dia 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra – é resultado da organização e mobilização de pessoas negras denunciando as formas de ação e os efeitos do racismo anti-negro mas também expressa que tornar-se negro é Ser semente de vida, plantada pela ancestralidade, que brota, cresce, floresce e dá frutos ainda que em condições adversas.